Gebara fecha a trilha porque mostra o que falta na própria Teologia da Libertação. Para o professor, ela é a prova de que nenhuma libertação é completa enquanto metade das pessoas continua silenciada. Une, numa só voz, a crítica social, a fé e a ecologia, e oferece linguagem para pensar gênero em espaços religiosos sem abrir mão da dignidade de ninguém. É a ponte entre a teologia da libertação, o ecofeminismo e a sala de aula.Por que importa
Contribuições ao pensamento
Teologia feminista latino-americana
Mostrou que a Teologia da Libertação tratou o pobre de forma abstrata e deixou de fora as mulheres, exigindo uma libertação que parta também dos corpos e do cotidiano.
Ecofeminismo e fé
Articulou a crítica feminista com a ecologia, defendendo que a exploração das mulheres e a degradação da natureza nascem da mesma lógica patriarcal e capitalista.
A mulher como sujeita da fé
Afirmou as mulheres como sujeitas epistemológicas da teologia, e não como receptoras passivas de doutrinas formuladas por homens.
Gebara formou-se no ambiente da Teologia da Libertação dos anos 1970 e 1980, mas foi além dela ao denunciar o silêncio dos teólogos homens sobre a opressão das mulheres. Seu silenciamento pelo Vaticano em 1995, na mesma onda conservadora que atingiu Boff e Gutiérrez, revelou os limites de uma Igreja que falava de libertação mas resistia ao protagonismo feminino.
Uma vida em camadas
Os mesmos anos lidos em três alturas: o mundo, o campo de ideias e a própria trajetória.
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Recebidas
Externas
- Rosemary Radford Ruether
- Dom Hélder Câmara
- Vandana Shiva
Biografia(expandir)
Ivone Gebara nasceu em São Paulo, em 1944, filha de imigrantes. Tornou-se freira da congregação das Cônegas de Santo Agostinho e doutorou-se em Filosofia e em Ciências Religiosas, esta última em Louvain. Por muitos anos ensinou no Instituto de Teologia do Recife (ITER), ao lado de Dom Hélder Câmara, no coração da Teologia da Libertação brasileira.
Gebara percebeu cedo que a libertação proposta pelos teólogos homens cuidava da política e da economia, mas deixava de fora os corpos, o cotidiano e a vida concreta das mulheres. A partir dessa crítica, construiu uma teologia que une libertação, feminismo e ecologia, mostrando que a exploração da mulher e a exploração da natureza obedecem à mesma lógica de dominação.
Em 1995, após falar publicamente sobre aborto no contexto da pobreza, foi silenciada pelo Vaticano e enviada para um período de estudo e silêncio na Europa. O episódio a projetou como símbolo da resistência das mulheres dentro da Igreja. Sua obra segue como referência central para quem pensa a fé a partir das mulheres, dos pobres e da Terra.
- GEBARA, Ivone. A Teologia da Libertação e as mulheres, Sociedade e Cultura, 2020.
- GEBARA, Ivone. Corpo, novo ponto de partida da teologia, Fonte Editorial, 2016.
- GEBARA, Ivone. Rompendo o silêncio: uma fenomenologia feminista do mal, Vozes, 2000.
Conceitos
Autoras relacionadas
Ivone Gebara, no Atlas vivo do NEXO.