Existe uma experiência comum, marcada pela diáspora africana e pela presença indígena, que atravessa as fronteiras das Américas.NEXO · Atlas
É uma categoria criada por Lélia Gonzalez para reconhecer a herança africana e indígena na formação de todo o continente americano. O termo desloca o centro da análise do Atlântico Norte para as Américas.
Mais do que uma identidade fixa, amefricanidade é um modo de reposicionar quem tem o direito de produzir teoria. A partir dela, Gonzalez propôs um feminismo afro-latino-americano, capaz de pensar raça, gênero e classe desde a realidade do continente, e não importados de fora.
Pensar a partir das Américas
A amefricanidade recusa a ideia de que a teoria nasce sempre no Norte e chega aqui pronta. Afirma que a experiência da diáspora africana e da presença indígena, comum a tantos países americanos, produz conhecimento próprio. Não é periferia da teoria: é centro de outra.
O racismo à brasileira
Lélia Gonzalez analisou o mito da democracia racial e o modo brasileiro de mascarar o racismo sob a aparência de cordialidade. A amefricanidade dá nome ao que o discurso oficial apaga: uma matriz negra e indígena que estrutura, de fato, a cultura e a sociedade.
Um feminismo do continente
A categoria sustenta um feminismo afro-latino-americano que pensa raça, gênero e classe juntos, sem copiar agendas de outros lugares. Dialoga com a escrevivência de Conceição Evaristo e com o feminismo negro de Angela Davis e bell hooks.
Formulou a amefricanidade e o feminismo afro-latino-americano, deslocando o eixo da teoria para as Américas.
Onde Gonzalez reposiciona quem teoriza, Conceição Evaristo reposiciona quem narra.
Raça, classe e gênero pensados juntos: a amefricanidade dá a essa trama um endereço continental.
Entender a amefricanidade é mudar o lugar de onde se pensa. É reconhecer que a América Latina não precisa importar teoria para compreender a si mesma: a herança africana e indígena já é o ponto de partida.
Identidade e Memória.
