A submissão da natureza e a submissão da mulher aparecem, ao longo da história, como o mesmo gesto de dominação.NEXO · Atlas
Identifica um paralelo histórico incômodo: o capitalismo e o patriarcado tratam tanto a natureza quanto o corpo e o trabalho das mulheres como recursos infinitos, a serem apropriados sem reconhecimento nem reposição.
O termo é atribuído a Françoise d'Eaubonne, em 1974, e o campo cresceu com autoras como Maria Mies, Vandana Shiva e Ariel Salleh. Não é uma só corrente: há vertentes que aproximam mulher e natureza pela cultura e vertentes materialistas que recusam qualquer essência e olham para o trabalho e a história.
O mesmo gesto de apropriação
Quem trata a floresta como estoque a explorar trata também o trabalho de cuidado das mulheres como dádiva natural, gratuita e infinita. O ecofeminismo nomeia essa dupla apropriação e mostra que ela sustenta, ao mesmo tempo, o lucro e o patriarcado.
Vandana Shiva e as sementes
Vandana Shiva mostra, a partir da Índia, como o modelo de monocultura e patente sobre sementes expulsa as mulheres do centro da agricultura de subsistência e empobrece a diversidade da vida. Defender a semente livre é, ali, um gesto ecofeminista.
Federici e a caça às bruxas
Na linha materialista, Silvia Federici mostra em Calibã e a Bruxa que a caça às bruxas e o disciplinamento dos corpos femininos foram parte da própria construção do capitalismo. Não há essência feminina ligada à terra: há uma história de violência que precisa ser lida.
Liga a defesa da biodiversidade à autonomia das mulheres na agricultura camponesa.
Em Calibã e a Bruxa, mostra que o controle sobre o corpo das mulheres fundou o capitalismo.
Cunhou o termo ecofeminismo em 1974, ligando crise ecológica e opressão de gênero.
Estudar o ecofeminismo é ver, num mesmo olhar, a conta da natureza e a conta do trabalho das mulheres, ambas tratadas como gratuitas. Recusar essa gratuidade forçada é o ponto de partida.
Feminismo, Trabalho e Natureza.
