Os danos ecológicos não recaem sobre todos da mesma forma. A luta ambiental e a luta por igualdade são a mesma luta.NEXO · Atlas
Parte de uma constatação empírica simples e dura: os danos ecológicos recaem de forma desigual. Enchentes, secas, poluição e despejo atingem primeiro quem já tem menos.
Comunidades tradicionais e povos indígenas sofrem a expropriação de seus territórios pelas forças do capitalismo extrativista, do agronegócio à mineração. Por isso a justiça socioambiental recusa separar pauta social e pauta ambiental: são duas faces da mesma estrutura.
De Warren County ao racismo ambiental
O conceito tem raiz no movimento por justiça ambiental dos Estados Unidos. Em 1982, o protesto de Warren County contra um depósito de resíduos tóxicos numa comunidade negra, e a obra de Robert Bullard, deram nome ao racismo ambiental: o lixo e o veneno têm endereço, e cor.
Território é vida
Aqui, a luta ganha o rosto dos povos da floresta, quilombolas, ribeirinhos e indígenas, para quem perder a terra é perder o modo de viver. A justiça socioambiental afirma que defender esses territórios é defender, ao mesmo tempo, gente e natureza.
O mesmo grito
O conceito ecoa Leonardo Boff: o grito da Terra e o grito dos pobres são o mesmo grito. E encontra a justiça climática, que mostra, na escala do planeta, quem causou menos a crise e quem mais paga por ela.
Tudo está interconectado com tudo, originando a sinfonia universal.Leonardo Boff · Ecologia: Grito da Terra, Grito dos Pobres (Sextante)
O grito da Terra e o grito dos pobres são, para Boff, manifestações de uma única injustiça.
Leva a desigualdade ambiental à escala do clima: as nações que mais emitiram são as que menos sofrem.
Robert Bullard mostrou que a distribuição do dano ambiental segue linhas de raça e de classe.
Entender a justiça socioambiental é parar de tratar floresta e favela como problemas separados. É ver que a mesma lógica que expulsa, polui e explora precisa ser enfrentada de uma vez só.
Trilha Ecossocialismo.
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