Foi a derrota histórica mundial do sexo feminino.A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, 1884
Por que as mulheres foram subordinadas? Engels recusa a resposta fácil da natureza e procura a resposta na história, no momento em que a propriedade privada nasce.
Escrito a partir de anotações de Marx e da antropologia de Lewis Morgan, o livro de 1884 sustenta que a família monogâmica, a propriedade privada e o Estado surgem juntos. A subordinação da mulher não é eterna: tem data e tem causa.
Propriedade privada e a opressão da mulher
Quando a riqueza passa a ser acumulada e herdada, torna-se necessário controlar a descendência e, com ela, o corpo e o trabalho das mulheres. A família monogâmica nasce menos do amor e mais da herança. A opressão de gênero ganha raiz material.
Onde a sociedade se divide, surge o Estado
Para Engels, o Estado não existiu sempre. Ele aparece quando a sociedade se divide em classes com interesses inconciliáveis, como uma força que mantém essa divisão sob controle. Não é neutro: nasce da desigualdade.
Uma porta para o feminismo
O NEXO lê a obra como abertura, não como palavra final. A antropologia de Morgan envelheceu em vários pontos, e pensadoras como Silvia Federici aprofundam e corrigem a relação entre capital, corpo e trabalho das mulheres. A pergunta de Engels, porém, segue em pé.
A subordinação da mulher ligada ao surgimento da propriedade privada e da herança, não à natureza.
Federici retoma e tensiona Engels, mostrando como o capitalismo se ergueu também sobre o controle do corpo feminino.
A instituição que nasce com as classes para manter a divisão social sob controle.
Ao dizer que a opressão das mulheres tem história, Engels diz também que ela pode ter fim. Foi um dos primeiros textos a tratar gênero como questão política, e não como destino.
Fundamentos do Marxismo.
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