A sociedade comete um assassinato social quando coloca os trabalhadores em condições que os levam à morte prematura.A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, 1845
Engels não escreveu de uma biblioteca. Andou pelos cortiços, pelas fábricas e pelos bairros operários da cidade mais industrial do mundo, e contou o que viu.
Publicado em 1845, o livro é uma das primeiras grandes investigações sociais do capitalismo. Engels mostra como a indústria produz, ao mesmo tempo, riqueza sem precedentes e miséria sem precedentes, lado a lado.
Assassinato social
Quando a morte precoce de milhares decorre das condições impostas pela sociedade, não é fatalidade nem azar, é responsabilidade. Engels chama isso de assassinato social: um crime sem um culpado individual, cometido pela própria organização da vida.
Olhar para os fatos
Antes da teoria pronta, a observação. Engels reúne relatórios, estatísticas e o que enxergou com os próprios olhos. É o gesto que mais tarde sustentaria o materialismo: partir das condições reais de vida, não das ideias sobre elas.
Um retrato do século XIX que ainda fala
O NEXO lê a obra no seu tempo e no nosso. A Manchester de 1845 não é a cidade de hoje, mas a lógica que separa o lucro de uns da saúde de muitos segue reconhecível em qualquer periferia trabalhadora.
A morte prematura de trabalhadores como resultado, não de acidentes isolados, mas das condições impostas pela sociedade.
Logo após este livro, Engels e Marx iniciam a colaboração que duraria a vida inteira.
Partir das condições reais de vida, e não das ideias sobre elas. A semente do materialismo histórico.
Este livro marca o encontro que mudaria o pensamento político: pouco depois, Engels e Marx começariam a escrever juntos. A investigação da realidade vinha antes da revolução das ideias.
Fundamentos do Marxismo.
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