O trabalho que sustenta todos os outros, o de reproduzir a vida, é o ponto zero de qualquer revolução.NEXO · Atlas
Silvia Federici reúne aqui décadas de luta e teoria em torno de uma só pergunta: quem cuida de quem trabalha, e por que esse cuidado nunca aparece na conta.
O livro junta ensaios sobre o trabalho reprodutivo, a campanha por salário para o trabalho doméstico e a economia global do cuidado. Para Federici, sem reconhecer esse trabalho invisível, nenhuma análise do capitalismo, e nenhuma revolução, se sustenta.
O trabalho que não aparece
Cozinhar, limpar, cuidar de crianças, idosos e doentes: sem esse trabalho, ninguém chega à fábrica ou ao escritório. Feito sobretudo por mulheres e sem salário, ele é a base escondida sobre a qual toda a economia se ergue.
Salário para o trabalho doméstico
A palavra de ordem não pedia apenas dinheiro. Ao exigir salário para o trabalho doméstico, o movimento tornava visível o que era naturalizado, denunciava a exploração e abria espaço para recusá-la. Nomear o trabalho era o primeiro passo para mudá-lo.
Do lar aos comuns
O NEXO destaca como Federici amplia a discussão das cozinhas para o mundo: as cadeias globais de cuidado, em que mulheres pobres e migrantes sustentam a vida de outras famílias, e a defesa dos comuns como horizonte de reprodução compartilhada.
O trabalho de cuidado e doméstico, não pago, que reproduz a força de trabalho e sustenta o sistema.
Onde Calibã conta a origem histórica dessa exploração, o Ponto Zero pensa as suas lutas no presente.
Davis cruza esse trabalho com a raça, mostrando quem mais carrega o cuidado dos outros.
O Ponto Zero da Revolução muda o mapa da economia: no centro, não a fábrica, mas a casa e o cuidado. Reconhecer esse trabalho é condição para qualquer projeto de emancipação.
Feminismo, Trabalho e Natureza.
