Krenak faz o que nenhum conceito acadêmico consegue: torna a crise ecológica uma questão existencial. 'Adiar o fim do mundo' não é poesia, é um projeto pedagógico. Para professores de educação ambiental, Krenak oferece algo raro: um pensamento que vem de dentro do Brasil, de dentro de uma cosmologia indígena, e que ao mesmo tempo dialoga com Heidegger, com Benjamin, com a filosofia contemporânea. Num país onde a questão indígena é central para qualquer debate sobre território e natureza, ignorar Krenak é ignorar o Brasil. Ideias para Adiar o Fim do Mundo deveria ser leitura obrigatória em qualquer formação de professores.Por que importa
Contribuições ao pensamento
Crítica à ideia de humanidade separada da natureza
Diagnosticou que o problema central da civilização moderna é a separação da humanidade do resto da natureza, tratada como recurso e não como parente.
O adiamento do fim do mundo como pedagogia
Propôs que adiar o fim do mundo não é negação da crise, mas exercício permanente de imaginação de outros mundos possíveis, prática central para a educação.
Visibilidade do pensamento indígena
Tornou o pensamento dos povos originários brasileiros acessível ao grande público sem perder profundidade filosófica, contribuindo para uma epistemologia do Sul.
Krenak emergiu como voz pública na luta pelos direitos indígenas no período da Constituinte brasileira (1987-88), quando pintou o rosto de jenipapo no plenário do Congresso Nacional em protesto contra retirada de direitos indígenas. Seu pensamento ganha relevância crescente diante da crise climática e do esgotamento do modelo civilizatório ocidental. Conecta a tradição cosmológica Krenak com a filosofia e a política contemporâneas.
Uma vida em camadas
Os mesmos anos lidos em três alturas: o mundo, o campo de ideias e a própria trajetória.
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Recebidas
Externas
- Davi Kopenawa
- Eduardo Viveiros de Castro
- Isabelle Stengers
Biografia(expandir)
Ailton Alves Lacerda Krenak nasceu em 1953, em Itabirinha (MG), e pertence ao povo Krenak. Escritor, ambientalista e uma das principais lideranças indígenas do Brasil, ficou nacionalmente conhecido em 1987, quando, no discurso à Assembleia Constituinte, pintou o rosto de preto com tinta de jenipapo em defesa dos direitos indígenas. Em 2023, tornou-se o primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, empossado na cadeira 5 em abril de 2024.
O centro de seu pensamento é a crítica à ideia de que existiria uma humanidade separada da natureza. Para Krenak, essa separação é uma invenção que autoriza a exploração da terra e produz o próprio colapso ambiental que hoje se anuncia. Sua proposta é aprender a adiar o fim do mundo, resistindo à lógica que reduz a vida a recurso e mercadoria.
No NEXO, Krenak entra como pensador da crise ecológica a partir do Brasil e dos povos originários, ampliando a educação ambiental crítica para além do horizonte europeu. Obras principais: Ideias para adiar o fim do mundo (2019), A vida não é útil (2020) e Futuro ancestral (2022).
- KRENAK, Ailton. A Vida Não É Útil, Companhia das Letras, 2020.
- KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A Queda do Céu, Companhia das Letras, 2015.
- VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A Inconstância da Alma Selvagem, Cosac Naify, 2002.
- BOFF, Leonardo. Saber Cuidar: ética do humano, compaixão pela terra, Vozes, 1999.
Autoras relacionadas
Ailton Krenak, no Atlas vivo do NEXO.
