Gutiérrez é a raiz da trilha. Sem ele, a Teologia da Libertação não tem nome nem método. Para o professor que vem de uma tradição religiosa, ele mostra que a fé pode ser intelectualmente séria e socialmente comprometida, e que pensar a partir dos pobres não é importar ideologia, é levar o Evangelho a sério. Sua definição da teologia como reflexão crítica da práxis dialoga diretamente com Paulo Freire e abre a ponte entre fé, educação e transformação social.Por que importa
Contribuições ao pensamento
Opção preferencial pelos pobres
Formulou a ideia de que a fé cristã implica um compromisso prioritário com os pobres e oprimidos, deslocando o centro da teologia para a realidade dos que sofrem.
Teologia como reflexão crítica da práxis
Definiu a teologia não como doutrina abstrata, mas como reflexão crítica sobre a ação histórica à luz da fé, aproximando-a da práxis de Freire e do método marxista de análise.
Fundação da Teologia da Libertação
Sua obra de 1971 deu nome e forma a um movimento que reorganizou o cristianismo latino-americano em torno da justiça social.
Gutiérrez pensa no Peru e na América Latina marcados pela pobreza estrutural, pelas ditaduras e pela efervescência política dos anos 1960 e 1970. Sua obra responde diretamente ao Concílio Vaticano II (1962-1965) e à Conferência de Medellín (1968), que firmaram a opção da Igreja latino-americana pelos pobres. Foi alvo de suspeitas do Vaticano nas décadas de 1980 e 1990, no mesmo movimento que silenciou Leonardo Boff.
Uma vida em camadas
Os mesmos anos lidos em três alturas: o mundo, o campo de ideias e a própria trajetória.
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Recebidas
Exercidas
Externas
- Bartolomé de las Casas
- José Carlos Mariátegui
- Marie-Dominique Chenu
- Yves Congar
Biografia(expandir)
Gustavo Gutiérrez nasceu em Lima, em 1928, numa família pobre de origem mestiça e quíchua. Estudou medicina antes de seguir para a teologia e a filosofia, formando-se na Europa, em Louvain e Lyon, onde teve contato com a renovação teológica que prepararia o Concílio Vaticano II.
De volta ao Peru, dedicou-se ao trabalho pastoral em Rímac, um bairro pobre de Lima, e foi essa convivência com a miséria do povo latino-americano que deu forma ao seu pensamento. Para Gutiérrez, a teologia não podia ser feita de costas para a realidade dos que sofrem. Em 1971 publicou Teologia da Libertação: Perspectivas, obra que funda a corrente e a projeta mundialmente.
Sua tese central é simples e radical: existe uma opção preferencial pelos pobres que nasce do próprio Evangelho, e a teologia é reflexão crítica da práxis histórica à luz da Palavra. Estudioso de Bartolomé de las Casas e leitor de José Carlos Mariátegui, manteve diálogo com as ciências sociais sem reduzir a fé a método. Entrou formalmente na Ordem dos Dominicanos em 2001 e morreu em Lima em 2024, reconhecido como uma das vozes mais influentes do cristianismo do século XX.
- GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da Libertação: perspectivas, Vozes, 1975.
- GUTIÉRREZ, Gustavo. Beber no próprio poço: itinerário espiritual de um povo, Vozes, 1984.
- GUTIÉRREZ, Gustavo. Em busca dos pobres de Jesus Cristo: o pensamento de Bartolomé de las Casas, Paulus, 1995.
Conceitos
Autoras relacionadas
Gustavo Gutiérrez, no Atlas vivo do NEXO.
