O processo pelo qual o ser humano se torna estranho ao produto do seu trabalho, à sua própria atividade e a si mesmo, resultado da expropriação capitalista que transforma o que deveria ser expressão da humanidade em mercadoria de outro.
O conceito foi desenvolvido por Karl Marx, especialmente nos *Manuscritos econômico-filosóficos* (1844) e aprofundado em *O Capital* (1867). Para Marx, o trabalho é originalmente o que diferencia o ser humano dos demais animais: antes de construir, o construtor imagina; antes de ensinar, o educador pensa. O trabalho é, portanto, mediação consciente entre o ser humano e a natureza, expressão de sua humanidade. No capitalismo, essa mediação é expropriada: o trabalhador vende sua força de trabalho e o que produz deixa de pertencer a ele. O produto de seu trabalho se torna uma mercadoria estranha, que o confronta como poder independente. Marx identifica quatro dimensões da alienação: o trabalhador é estranho ao produto que criou, ao próprio ato de trabalhar, à sua natureza humana e aos outros seres humanos.
A alienação não se limita à fábrica. Ela atravessa a educação, a cultura e as relações sociais. Na escola, a educação tecnicista reproduz a estrutura da alienação ao substituir o conhecimento como compreensão do mundo pelo treinamento para funções específicas e descartáveis. Paulo Freire retomou esse diagnóstico ao mostrar como a educação bancária aliena os sujeitos de sua própria capacidade de pensar e transformar a realidade. Compreender a alienação é condição para qualquer projeto educativo que busque a emancipação humana, pois revela que o problema não está nos indivíduos, mas nas estruturas que organizam o trabalho, o saber e as relações sociais.