Definição
Acordo tácito de proteção mútua entre pessoas brancas, que preserva privilégios e uma imagem positiva do grupo.
Noção formulada por Cida Bento em sua tese de doutorado (2002) e retomada em O pacto da branquitude (2022). Trata-se de um acordo tácito, nunca declarado, que se expressa na recusa em reconhecer a herança da escravidão como fonte de privilégios, no silêncio diante de práticas discriminatórias, na valorização de pares brancos em processos de seleção e promoção e na projeção sobre o outro de características negativas que o grupo não reconhece em si.
O adjetivo narcísico remete à dimensão psíquica: o pacto preserva uma imagem positiva de si e do grupo, ameaçada por qualquer discussão que associe o bem-estar branco à exploração histórica de pessoas negras. Ele ajuda a explicar um aspecto da negação que a leitura de Gonzalez, centrada no plano cultural, deixa em segundo plano: seu caráter de interesse. A negação protege contra a angústia e também preserva vantagens materiais e simbólicas.
O pacto não exige planejamento consciente. As práticas que mantêm privilégios podem ocorrer sem plano explícito e sem que quem participa reconheça plenamente seus efeitos. Por isso a dimensão subjetiva e a material se relacionam, e nenhuma delas substitui a análise da outra.
Verbete elaborado a partir da pesquisa de Laryssa Grazielly de Lima Sousa Araújo (Revista NEXO, e0014). Revisão editorial: NEXO. Quer expandir este verbete? Colabore gratuitamente com o NEXO; quem amplia divide a autoria, sem hierarquia.