Obra · Atlas NEXO
Freire revisita, vinte anos depois, o livro que o tornou conhecido no mundo. Responde às críticas, corrige o que precisava ser corrigido e define a esperança como necessidade ontológica que só se realiza na prática.
Argumentos centrais
Escrito em 1992, o livro é ao mesmo tempo memória e revisão. Freire relê a Pedagogia do Oprimido do exílio dos anos 1960 a partir do Brasil redemocratizado, responde a críticas que recebeu ao longo de duas décadas, entre elas a do machismo na linguagem do livro original, e conta os episódios concretos que deram origem a cada formulação teórica.
O centro do livro é a recusa da esperança como espera. Freire distingue a esperança que move da esperança que paralisa: a primeira é necessidade ontológica que precisa se ancorar na prática para virar história; a segunda é espera pura, que ele chama de espera vã. A frase é a mais citada da obra e resume o que separa Freire do otimismo ingênuo e do pessimismo de quem já desistiu.
É também o livro em que Freire enfrenta o discurso neoliberal que se consolidava nos anos 1990, com sua tese de que a história havia acabado e não restava alternativa. Contra isso, ele afirma a história como possibilidade, não como determinação.
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