Coleção Estômago · Trilha 1 · Módulo 3
Marcos Jorge e Lusa Silvestre escreveram o papel de Raimundo Nonato pensando em Matheus Nachtergaele. O ator leu o roteiro, gostou, e aceitou fazer o filme. Era, à época, um nome muito mais estabelecido do que o ator que acabou assumindo o papel. Mas quando a produção finalmente reuniu o orçamento necessário para começar as filmagens, tempo depois da aceitação inicial de Nachtergaele, ele já tinha outro compromisso de agenda e não pôde mais participar.
Sem o ator originalmente escalado, a produção precisou de uma solução rápida. Foi nesse momento que Marcos Jorge recebeu uma cópia adiantada de Cinema, Aspirinas e Urubus, longa que ainda nem tinha estreado e que marcaria a estreia de João Miguel como protagonista de cinema. Jorge assistiu, ficou impressionado com o ator, praticamente desconhecido do público até então, e decidiu escalá-lo para Estômago.
É difícil hoje separar Estômago da atuação de João Miguel. O papel de Nonato rendeu a ele o prêmio de melhor ator no Festival do Rio de 2007 e no Prêmio Guarani de 2008, além de consolidar o início de uma carreira que seguiria por Bicho de Sete Cabeças, Cidade dos Homens e outros papéis de destaque no cinema nacional. O "e se" permanece como uma das curiosidades mais repetidas sobre o filme: como Estômago teria ficado com Nachtergaele no lugar, e o que teria sido perdido, ou ganho, com essa outra escolha, nunca vai ter resposta.