Biografia(expandir)
Claude Raffestin nasceu em 1936, em Paris, e fez a graduação e o doutorado (1968) na Universidade de Genebra, na Suíça. Na mesma instituição foi professor de Geografia Humana, dirigiu o Departamento de Geografia e foi vice-reitor da universidade. Foi um dos fundadores do Centre universitaire d’écologie humaine e dedicou-se, no campo da Geografia, ao estudo dos conceitos de território e territorialidade. Morreu em setembro de 2025, em Turim, na Itália.
Sua obra permite analisar as formas de poder como condição indispensável para compreender o território, e ampliou esse conceito para além do Estado, o que tornou sua abordagem muito fértil para a leitura das estruturas territoriais. Para Raffestin, o poder é relacional, e o ser humano, ao se apropriar do espaço, se territorializa. Ou seja, o território é produzido por um conjunto de atores e instituições que estabelecem relações entre si e produzem territórios e territorialidades. As territorialidades são manifestações que envolvem identidade, pertencimento e apropriação.
Apoiada na análise do poder de Michel Foucault, sua contribuição ultrapassou o continente europeu e recebeu grande atenção de pesquisadores latino-americanos, que passaram a estudar fronteiras, desenvolvimento, grupos sociais, recursos e trabalho, além da linguagem e da informação como instrumentos constitutivos do território, das territorialidades e das relações de poder.
Sua perspectiva entende o território como uma dimensão formada a partir do espaço, pela apropriação realizada pelos atores territoriais dentro das relações de poder existentes. Em Por uma Geografia do Poder (1980), aprofunda as dinâmicas do poder para além do Estado e contribui para compreender o território a partir da produção material e imaterial, dos sistemas simbólicos, das tessituras, das redes e dos nós que articulam atores e produzem novas territorialidades, ligando trabalho, linguagem e migrações.
Raffestin ajudou a deslocar a Geografia Política de uma abordagem centrada no Estado e nas fronteiras para uma perspectiva baseada nas relações de poder e na territorialidade. Esse deslocamento é importante para compreender o papel dos movimentos sociais, das identidades, das disputas e dos conflitos envolvendo a apropriação do espaço e a produção territorial, e sustenta inúmeras teses e trabalhos acadêmicos sobre povos tradicionais, políticas públicas e atores sociais em perspectivas críticas e contra-hegemônicas.
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Claude Raffestin, no Atlas vivo do NEXO.

