Biografia(expandir)
Lacoste foi um dos geógrafos mais importantes na renovação do pensamento geográfico em meados da década de 1970 e um dos principais nomes da Geografia crítica mundial. Nasceu em 1929, em Fez, no Marrocos, e formou-se em Geografia na Sorbonne, em Paris. Aprovado no exame de agrégation na França, em 1952, começou a carreira como professor do ensino público na Argélia.
Em 1979, concluiu o doutorado com a tese Unidade e diversidade do Terceiro Mundo, na qual analisou conflitos geopolíticos e estruturais na Ásia, na África e nas Américas. A Universidade Paris VIII foi a principal instituição de sua trajetória acadêmica. Em 1976, fundou a revista Hérodote, que se tornou um dos principais espaços de discussão da Geopolítica francesa contemporânea.
Sua produção influenciou pesquisas sobre conflitos territoriais, guerras, fronteiras, nacionalismos, Estados, escalas, representações geográficas e relações internacionais. Sua obra mais conhecida tem um dos títulos mais provocadores da disciplina: A Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra (1976).
O livro critica a Geografia como matéria escolar que, na visão do autor, adotava uma concepção de ciência marcada pela pretensa neutralidade e centrada na memorização de aspectos da superfície terrestre. Para Lacoste, a Geografia tinha um papel político e geopolítico, e seu conhecimento era uma poderosa ferramenta de controle e de atuação dos Estados. Essa ciência não era neutra; ao contrário, era estratégica e necessária para desmistificar as dinâmicas do poder e as estratégias geopolíticas.
Após a Segunda Guerra Mundial, os temas geopolíticos foram abandonados por vários geógrafos, e essa discussão ficou restrita a diplomatas e militares. A Geografia acadêmica buscou se distanciar da Geopolítica, mas Lacoste retomou a importância desse debate para esclarecer as dinâmicas do poder e as estratégias do Estado.
Dedicou-se também ao estudo do subdesenvolvimento, destacando o papel da ciência geográfica na análise das desigualdades entre os países. Recusou explicações simplistas para a pobreza das nações e analisou o fenômeno de forma histórica e espacial, compreendendo desenvolvimento e subdesenvolvimento como resultados históricos ligados à herança colonial. Os países desenvolvidos acumularam suas riquezas em processos que envolveram a exploração do chamado Terceiro Mundo: a colonização organizou o espaço dos países dominados segundo os interesses das metrópoles, sobretudo pela produção de matérias-primas e pela monocultura, limitando o desenvolvimento dos mercados internos e a autonomia local.
Com Lacoste, os temas geopolíticos ganham centralidade e a Geografia de sua época passa por uma ruptura de paradigma. Suas formulações tratam a ciência geográfica como dinâmica, estratégica e fundamental para a análise de fenômenos que envolvem relações de poder, conflitos territoriais e relações internacionais. Morreu em junho de 2026.
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Yves Lacoste, no Atlas vivo do NEXO.

