Biografia(expandir)
Milton Almeida dos Santos foi geógrafo, escritor, cientista, jornalista, advogado e professor universitário. Nasceu em maio de 1926, em Brotas de Macaúbas, na Bahia. Formou-se em Direito pela Universidade da Bahia (atual UFBA), em 1948, e fez o doutorado na Universidade de Estrasburgo, na França (1958), sob a orientação de Jean Tricart. Marcado pela Geografia francesa, criou na UFBA o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais. Perseguido pela ditadura militar instaurada em 1964, partiu para o exílio na França, onde lecionou nas universidades de Toulouse, Bordeaux e Paris (Sorbonne).
Ganhou projeção internacional com seus estudos sobre a urbanização no chamado Terceiro Mundo e tornou-se um dos principais nomes do movimento de renovação da Geografia. Deu aulas no Canadá, nos Estados Unidos, no Peru, na Tanzânia e na Venezuela. A vivência entre países centrais e periféricos permitiu-lhe compreender as assimetrias entre eles e teorizar a produção desigual do espaço geográfico, formulando conceitos como os circuitos superior e inferior da economia urbana e o meio técnico-científico-informacional, base de seus estudos sobre a globalização.
De volta ao Brasil, consolidou a carreira na UFRJ e, principalmente, na USP. Em diálogo com diferentes campos do conhecimento e a partir de uma perspectiva de influência marxista, compreendeu o espaço geográfico como produto social e tornou-se um crítico da forma como a globalização passou a impor distorções sociais e a ampliar as desigualdades entre os países.
Obras como Por uma Geografia Nova (1978), A natureza do espaço (1996) e Por uma outra globalização (2000) seguem atuais pela densidade teórica com que interpretam o espaço geográfico, a epistemologia da Geografia e as transformações técnicas e científicas do mundo. Escreveu cerca de 40 livros e é uma das maiores referências brasileiras das ciências humanas, com forte presença internacional.
Em 1994, recebeu o Prêmio Vautrin Lud, conhecido como o “Nobel da Geografia”, e foi o único geógrafo latino-americano a conquistá-lo. Sua obra atravessa a economia política, os estudos urbanos e regionais, a globalização e a cidadania, sempre a partir dos países periféricos e, especialmente, das populações mais pobres, onde via a possibilidade de reconstruir um mundo mais justo e solidário. Morreu em São Paulo, em junho de 2001.
Autoras relacionadas
Milton Santos, no Atlas vivo do NEXO.

