Definição
Condição descrita por Paulo Freire na qual os sujeitos, privados de consciência crítica sobre as estruturas de poder, são manipulados pela classe dominante e impedidos de agir como agentes políticos de sua própria libertação.
O analfabetismo político não é a incapacidade de ler e escrever: é a incapacidade de ler o mundo. Freire (1970) identifica nessa condição a forma mais sutil e eficaz de dominação. Quem não compreende criticamente a realidade social não questiona as estruturas de poder que o oprimem: aceita-as como naturais, inevitáveis ou até merecidas. A educação bancária é o instrumento que produz e reproduz esse analfabetismo, ao impedir a problematização da realidade e manter os sujeitos presos a uma visão domesticada do mundo.
A análise de Freire encontra ressonância na crítica marxista à alienação. Para Marx e Engels (1984), é fundamental que a classe trabalhadora desenvolva consciência de classe para engajar-se na luta revolucionária. O analfabetismo político é justamente o que impede isso: ao manter os trabalhadores submissos e impotentes, garante à classe dominante a perpetuação de seu controle. Paulo Leminski resumiu com precisão brutal: é preciso muita proteína para fazer uma revolução. Os muito miseráveis nem sequer se revoltam. Enquanto a luta por sobrevivência dominar o cotidiano, a conscientização política permanece adiada.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.
