Definição
Modelo de ensino descrito por Paulo Freire no qual o professor deposita conteúdos em alunos passivos, impedindo o desenvolvimento da consciência crítica e reproduzindo a dominação.
Na Pedagogia do Oprimido (1970), Freire nomeia de bancária a concepção de educação que trata o aluno como recipiente vazio a ser preenchido de conhecimento pelo professor. Nesse modelo, o saber é doação dos que se julgam sábios aos que se julgam ignorantes. O aluno recita, memoriza, repete, sem compreender o contexto social do que aprende. Freire exemplifica: o aluno memoriza que Belém é a capital do Pará, mas não conhece o Pará, não conhece o povo paraense, não tem acesso à riqueza cultural que esse conhecimento poderia abrir.
A crítica à educação bancária não é apenas pedagógica: é política. Para Freire (1970), esse modelo é um instrumento da classe dominante para manter o controle sobre a classe trabalhadora, tal como Marx e Engels analisaram a educação capitalista. Ao impedir a problematização da realidade, a educação bancária aliena os sujeitos de sua própria força, tornando-os dóceis e submissos. Não à toa, ela é mais eficiente precisamente onde a opressão é maior. Ela não é um método pedagógico ingênuo: é uma escolha política a serviço da dominação.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz.
