Definição
Teoria pedagógica que organiza a escola em torno das demandas do mercado de trabalho, subordinando o conhecimento ao desenvolvimento de técnicas e habilidades específicas, em detrimento da formação crítica e da compreensão da realidade social.
O tecnicismo se consolidou no Brasil nos anos 1960 e 1970, numa confluência de fatores que não foram coincidências: a industrialização acelerada pelo capital internacional, as orientações do Banco Mundial e da OCDE por sistemas educacionais alinhados ao mercado e uma ditadura militar que precisava de trabalhadores dóceis mais do que de cidadãos críticos. A Lei 5.692/1971, editada sob o regime militar, cristalizou essa orientação ao reorganizar o ensino criando dois trilhos paralelos: o ensino profissionalizante para as classes trabalhadoras e o ensino médio regular para quem podia dar-se ao luxo de não se preocupar com emprego imediato. Saviani (2008) observou que essa dualidade estrutural reproduz a divisão social do trabalho: para os filhos da classe trabalhadora, a técnica; para os filhos das classes dominantes, a teoria que organiza quem vai executar a técnica.
A versão contemporânea do tecnicismo é o que pode ser chamado de cibertecnicismo: a substituição dos métodos e máquinas pelos algoritmos e plataformas digitais, mantendo a mesma estrutura de fundo. O estudante não aprende para compreender o mundo, mas para executar funções. O professor é substituído por conteúdo gravado replicável infinitamente. O que se perde é o que a educação precisa para existir: a relação, o diálogo, a possibilidade de questionar. Como argumenta a Educação Ambiental Crítica e a Pedagogia Histórico-Crítica, nenhuma tecnologia educacional transforma a escola enquanto o capital organiza seus fins.

